Ser celíaca e vegana – Reflexões

Como é ser vegana e celíaca? Experiência pessoal

VeganoSem glúten
10 de Maio de 2020

Photography by Bruna Serta

Reflexões

Eu estava aqui pensando em escrever um pouquinho mais sobre mim, sobre as novidades que surgiram e eu ainda não expliquei direito, porque queria fazer uma postagem só falando sobre isso, porém não posso só falar sobre as novidades e não contar sobre a minha história.

Porque estivemos sumidos das redes sociais

Há dois meses nós voltamos para o Brasil, e foi um período conturbado, pois precisávamos organizar todas as nossas coisas, nossa casa e nossa vida. Por isso eu ficamos sumidos do Instagram e do blog, mas agora estamos aqui, com toda dedicação do mundo, esperando muito que vocês gostem das novidades tanto quanto nós.

Alguns meses atrás eu fiz compartilhei no Instagram, umas fotos de como minha pele fica quando eu consumo glúten (ou entro em contato de alguma forma). E vou explicar um pouco mais como foi pra mim.

Como foi pra mim: ser vegana e descobrir minha doença celíaca

Quando nós morávamos na Alemanha, eu descobri que tinha Dermatite Herpetiforme, que é uma outra versão da doença celíaca, esta por sua vez, ataca a pele. Então qualquer contato que eu tenha com glúten, por menor que seja, aparecem bolinhas na pele que coçam muito, como uma alergia. Mas sinceramente, lá eu não cuidava da minha alimentação, e muito menos com a contaminação cruzada. Só quando nos mudamos para Portugal, e eu fui trabalhar em uma cozinha vegetariana que eu percebi que precisava me cuidar. Na cozinha deste restaurante, faziam Seitan (carne de glúten), e assim que entrei na cozinha, estavam mexendo com a farinha de glúten e farinha de trigo, foi instantaneamente que a minha mão ficou tomada por bolinhas… E ao longo do dia, elas foram subindo para os braços, como uma alergia, até que realmente eu vi que não dava mais para ficar lá e que não daria para trabalhar em um cozinha/restaurante “comum”. Foi um período extremamente conturbado, eu estava muito desanimada por não conseguir mais trabalhar no que eu realmente gostava, não poderia trabalhar em restaurantes, não poderia me aperfeiçoar em cursos que não fossem “aptos” para celíacos, o que não é uma coisa fácil de se encontrar.

E eu ficava extremamente irritada com a minha pele, porque queimava e coçava demais, além das bolinhas que todo mundo olhava e achava que era contagioso. Íamos no mercado, e eu não podia mais consumir nada vegano, com todas aquelas opções, porque quase tudo tinha glúten. E o nosso passatempo preferido era experimentar cervejas, coisa que eu não posso mais fazer e isso foi muito sofrido para mim. Além disso, meu marido também não poderia mais comer glúten em casa para não me contaminar.

Não é só a alimentação que precisa ser restrita:

E não era só alimentação que eu precisava restringir, eu também não posso usar produtos químicos, produtos de limpeza. Então tive que fazer a dieta sem glúten ampliada, fazer meus próprios produtos de limpeza e jogar fora minhas maquiagens, shampoos, hidratantes e tudo oque continha glúten ou até traços na composição.

Aceitar, estudar e aprender:

Foi um período muito difícil, e aos poucos, com erros e acertos, nós fomos aprendendo como lidar, como comer, como limpar e como se adaptar. Eu comecei a estudar, testar e errar receitas. Aprender errando, e vendo como lidar com cada tipo de farinha sem glúten, estudei muito e testei muito pra chegar em um resultado final que fosse perfeito.

A volta ao Brasil:

Voltamos para o Brasil e vimos que se lá era difícil, aqui era muito mais. Eu não posso comer em qualquer restaurante, eu tenho que comer em um que seja apto para celíacos, ou seja, sem contaminação, e que seja vegano. E é muito difícil de encontrar um que una as duas coisas, então, praticamente eu só como o que eu faço, e levo a minha comida se necessário.



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Chef Bruna Serta

Hi! My name is Bruna Serta, I'm a Pâtissière Chef. I reinvent classics of traditional french pastry in all vegan and gluten-free versions.